O Canto dos Sardões

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Pelos anos de 1900, chamavam ao sítio do Espinhal, o Canto dos Sardões. Aí nascera a freguesia de Canelas, um ermo no cimo da encosta que se espreguiça docemente até às águas frescas da foz do Vouga que, no seu espraiar, aqui namoriscam as da Ria de Aveiro.

Dizia-se desconhecer, donde lhe viera tal epíteto mas, entre dentes, acusava-se o prior Rebelo de tal baptizado. O velho cónego, ainda que comparasse a ladeira, à subida ao Monte Sinai, atacava a subida com a mesma fé dos apóstolos, contrariando as velhas pernas a que as dores do reumatismo aconselhavam indulgências, sempre acudindo aos chamados, pelo que, jamais se lembraria de vingança tão mesquinha.

Quem tal nome dera ao lugar, fora o próprio povo, por motivo do pão que o Agostinho Matos e sua mulher Maria Valente, ali coziam e vendiam. Lembraram-se estes de enrolar os restos da massa, na forma de uns pequenos sardões que, cozidos na fornada, davam depois aos garotos dos seus fregueses.

A pequenada, pouco farta por esses tempos, não via o dia da ida ao Espinhal, à loja de Ti Matos. Escondidos pelas saias das mães, aguardavam o ansiado; toma lá o teu sardão!

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