Dia de feira

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O dia amanhecia cinzento de feio, enfarruscado das pesadas nuvens que ameaçavam despejar água a rodos. Logo hoje, um dia importante para a vila e para a mercancia, pois que havia milho, trigo e gados a vender.

 

João Lanhoso deitou olhos ao céu tentando-se na imprevisibilidade do tempo. Havia que aparelhar o gado, carregar o carro e fazer-se ao caminho. Era arriscado. Ontem chovera que Deus a dera, e agora mesmo, ia assim o tempo de cara feia. Se fosse apanhado pela chuva sofreria grave prejuízo na molha dos cereais.

 

Mas é certo que quem não arrisca, não petisca. Não haveria S. Pedro de fazer tal desfeita a Santo Amaro. No caminho, o dia foi abrindo e as águas perderam-se para os lados da serra d’Arouca. Sempre era o dia de inauguração da nova feira quinzenal de Santo Amaro, no sítio do mesmo nome, em Estarreja e tudo se vendeu bem, particularmente os cevados, nesse dia de 30 de Setembro de 1901.

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