Insondáveis desígnios

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Os desígnios de Deus são insondáveis. Por vezes, parece que liberta o anjo da morte ordenando-lhe, tal colector de impostos, que lhe recolha as almas que faltarão, no céu ou no inferno, semeando o terror da morte e a dor da perda a esmo, vá lá saber-se porquê, por de entre famílias que se vêm aniquiladas em pouco tempo.

O pedreiro do Cabeço, perdeu quatro dos seus cinco filhos no espaço de um ano. Grande terá sido o seu pecado, ou a ignominia do criador, para Lhe merecer tal castigo, porque a morte de um filho, é bem mais dolorosa, do que a própria.

Primeiro, faleceu-lhe o Manel, chegado já doente dos Brasis, nunca se recuperou. Definhou, até que a alma se esvaiu, nunca se sabendo de que padecera. Ainda se não recompusera o pai, quando a filha Rosa seguiu os passos a seu irmão, amortalhada por via da infecção duma picadela de caruma, que lhe apodreceu o corpo. O filho Joaquim, finou-se em Outubro, num desastre ocorrido num poço onde trabalhava. Três meses corridos, vai-se-lhe o António, morto de uma navalhada desferida por causa mesquinha.

Vá lá compreender-se porquê, mercê de que fado ou má sorte, um homem vai a enterrar os seus descendentes, contrariando a natureza de que um pai, não deve sobreviver aos seus filhos.

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